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Crédito positivo

A economia brasileira, após uma década e meia de relativa estabilidade monetária, caminha para um padrão de normalidade que não seria possível nos tempos de inflação crônica e aguda. O crédito, por exemplo, além de escasso acabava sendo uma armadilha aos que dele necessitavam, pois o elevadíssimo custo do dinheiro era incompatível com o retorno de capital da grande maioria das atividades produtivas ou da renda de boa parte dos consumidores.
Tanto a política de combate à inflação como as reformas que fortaleceram o sistema financeiro brasileiro propiciaram uma abertura para a retomada de operações de crédito em condições que, se ainda não se igualam às existentes no mercado internacional, ao menos estão se tornando mais satisfatórias. Aliado ao crédito convencional, cresce um mercado de capitais sofisticado que já oferece opções financeiramente atraentes para empresas •de médio e grande portes, ou que possuam características de inovação tecnológica.
Um dos segmentos que voltaram a ser beneficiados pela reativação do crédito é o imobiliário. A casa própria é possivelmente o principal patrimônio que a maioria das famílias consegue constituir em suas vidas. Em economias com padrões de normalidade, a formação desse patrimônio é um esforço de poupança que geralmente está conjugado à contratação de dívidas de longo prazo, e em valor que sempre compromete uma parcela expressiva dos orçamentos domésticos.
Dessa forma, sem condições razoáveis, tal tipo de crédito não funciona, pois se torna uma espécie de bomba relógio, como aconteceu com o extinto Banco Nacional da Habitação (BNH).
As instituições financeiras, as empresas e as famílias estão reaprendendo a lidar com o crédito no Brasil, e o resultado tem sido positivo até agora. Embora o crédito venha se expandindo em ritmo rápido (deve passar do equivalente a 40% para 50% do Produto Interno Bruto este ano, conforme a atual tendência do mercado), os índices de inadimplência - pagamentos em atraso por mais de 90 dias - estão longe de patamar de risco.
Mas, tratando-se de um setor muito sensível - a recente crise financeira internacional não deixa dúvidas sobre isso -, a expansão do crédito precisa ocorrer sob regras de segurança bem severas. O Brasil tem sido mais rigoroso que outros países nesse campo. E uma política que precisa ser mantida.

Fonte: O GLOBO - 20/01/2010

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